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Sobre o 8 de março

O dia 8 de março é importante porque as Mulheres ainda são oprimidas, mas só quando formos realmente tratadas como iguais, poderemos transformá-lo numa comemoração

in http://www.thehindu.com/opinion/open-page/Celebrate-woman-power-and-feminity/article17118052.ece


Mulheres!
Nós merecemos que este dia se torna numa comemoração e que nada nos cale ou nos pare, porque nós merecemos e não só neste dia, ter o respeito que deveríamos ter todos os dias, o valor que deveríamos ter todos os dias. Tudo o que deveríamos ter todos os dias, o que é nosso por direito, mas não temos porque ainda somos vistas como o “sexo frágil”.
Dirijo-me a todas as Mulheres: às brancas e às negras, as que têm seios de silicone ou as que têm seios naturais, às que não têm ovários nem útero e às que têm ambos, às homossexuais, heterossexuais e bissexuais, às prostitutas por prazer e às prostitutas por obrigação da vida e que jamais deveriam ser julgadas por isso, às donas de si da cidade, às reservadas do campo e vice-versa, às ricas, pobres e de classe média, às marginalizadas e a todas aquelas que não conseguimos imaginar mas que existem. A todas as Mulheres!
Evitamos ruas e avenidas durante a noite, somos assediadas em plena luz do dia no meio da multidão, somos abusadas em casa pelos companheiros e no trabalho ao recebermos menos, violadas – e não só fisicamente! Nascemos mulheres. Tivemos a sorte grande de nascermos deste sexo tão genuíno, mas o mundo condena-nos: condiciona a nossa liberdade, marginaliza-nos, inferioriza-nos. E pior que tudo é que isto ainda acontece em pleno século XXI, 2016 anos d.C., quando a tecnologia alcançou picos inexplicáveis e a ciência explica fenómenos inexplicáveis, nós somos rotuladas e quando duas de nós viajam e são cruelmente assassinadas, os medias usam títulos como “Viajavam sozinhas e foram assassinadas”. Em pleno século XXI, mesmo que a ONU anuncie que sete em cada dez mulheres ainda são agredidas quase diariamente por homens do seu círculo próximo.
Posto isto, de que serviram os soutiens queimados nas revoluções feministas das décadas de 60 e 70? Posto isto, será que a nossa luta e resistência é levada a sério, como foi levada pelas nossas guerreiras durante anos a fio ainda antes de virmos à terra?
Somos mulheres pela nossa essência e não pela nossa aparência e continuam a tentar incutir a ideia de que devemos ser doces, românticas e simpáticas. Pedem também que sejamos inteligentes, mas não muito, os homens são sempre mais.
E dizem-nos ainda que somos livre, mas isso é uma questão que levaria a outras tantas e muito mais revoltantes.
Somos Mulheres. Somos fenomenais, somos fortes e independentes. Somos Mulheres, mas acima de tudo somos Humanos e caminhamos pelas mesmas terras que os homens, por isso faremos com que sejamos tratadas com os mesmos direitos – e com os mesmo deveres também - , faremos deste dia o dia de mais uma luta de todas e preparemos o mundo para aceitar as curvas femininas à frente de um grande negócio, que obedeçam e não façam risos quando é uma saia a coordenar e não um par de músculos e voz grave, que os nossos batons não sejam razão para assédio, que o dito batom tenha tons afirmativos e assertivos mesmo quando é vermelho garrido ou cor de vinho. As Mulheres não são fúteis por quererem ser bonitas e não são ocas aquelas que ligam menos à aparência. Não devemos ser prejudicadas por termos nascido do sexo que é tudo menos frágil.

E ainda que não possamos comemorar a igualdade, parabéns para nós por todas as nossas lutas, porque nós merecemos!
- vk.

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